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3.7.15

500 Anos

Você se lembra dos 500 anos do Brasil? Eu não. Por que eu sou brasileiro, eu não desisto nunca. Mas tenho memória curta. E se eu fosse Mané das Bandêra eu fazia um poeminha. Talvez em alemão. Why not?
Mas agora né o Mané que eu quero lembrar. É o Vinícius. O bom cronista faz crônica até sobre a cadeira.
Mas bão mesmo é escrever sobre insights.
Eu acho que tive vários insights esses dias. Friso: eu acho.
O problema é que agora não lembro de nenhum em particular para compartilhar comigo mesmo. Digo comigo mesmo por que no fim das contas eu descobri que essas coisas pseudo-artísticas que faço são pra mim mesmo. Uma masturbação que não envolve sexo.
De qualquer maneira fico feliz em ter redescoberto esse canal e saído mais uma vez da inércia. Taí um bom tema pra essa crônica.
Acho que eu começo as coisas e nunca termino pra não perder essa coisa de sair da inércia. Eu gosto de sair da inércia, seja ela estática ou dinâmica. Se eu tô de um jeito quero logo ir pro outro. Se eu tô parado, quero andar. Se tô andando, quero parar.
Putz! Que insight! Que bom que tive esse insight. Insight parece ser uma coisa boa pra gente não correr o risco de se enquadrar em um transtorno mental.

Hehehe

Good night. Glad I'm back pra mim mesmo.

Chupa, todo mundo que não sou eu.

9.12.13

Dans La Maison

Esse texto poderia ser uma crítica sobre o filme do qual eu surrupiei o título. Mas não é. Não vai ser. Vou escrever (com enorme dificuldade, por que eu estou digitando no teclado touch do meu celular, e por que tem muito tempo que eu não escrevo nada) sobre o que eu estou escrevendo, que é esse texto. 
Já ficou acertado então que ele, o texto, não será uma crítica “cinemática”. Será, ou é, como não poderia deixar de ser, uma crônica. 
Embora eu não esteja 100% seguro sobre o nome do estilo nesse momento, os meus quase 5 leitores sabem do que eu estou falando, pois já se acostumaram a ler esse tipo de texto escorrendo lentamente dos meus dedos para o teclado do computador. 
Hoje, no entanto, há uma diferença. O texto está peculiarmente fragmentado por muitos parágrafos, coisa que eu não costumo fazer. Se bem que, devido ao formato que escolhi para o blog, é difícil dizer quando surge um parágrafo. Vou ajudá-los.

E hoje as palavras não escorrem mais, o que era muito mais fácil com a ajuda da gravidade. Hoje elas têm que se esforçar. Elas vão se ralando, se entalando, contra a gravidade, para sair dos meus dedos e chegar até o cume: a tela do celular, onde os meus olhos enxergam o produto do meu parto pela primeira vez, ao vivo e a cores, e não pelo monitor do ultrassom.

Quando o texto começa? Ali em cima eu fiquei na dúvida se usava o presente ou o futuro. Quando começa a vida do bebê para a mamãe grávida? Quando ela começa a se referir a ele como alguém que é, em vez de se referir a alguém que será?

Isso está realmente se configurando (troquei a palavra anterior umas três vezes e ainda não tenho certeza se isso é realmente o que eu queria dizer) um parto (essa, sim, era uma que eu procurava). 

O Android nos oferece uma variedade de opções gratuitas de aplicativos. Contudo, ainda não encontrei um editor de texto que funcionasse satisfatoriamente. Fora isso tem a questão desse teclado touch. É a pior invenção de todos os tempos: uma coisa sem feeling, sem vida, excessivamente virtual para mim. 

Mas, ultimamente, tenho me conformado mais com essas coisas. Virei um dinossauro mesmo. Meu maior medo é o dia em que proibirem os carros com câmbio manual. Infelizmente, eu sei que um dia isso vai acontecer. A tendência, acredito que mundialmente, é que as máquinas cada vez mais se responsabilizem pelo trabalho que seria nosso. Antes se dizia que era para que os humanos pudessem usar sua tão elevada inteligência para fins mais nobres. Mas, pelo que tenho visto, o tiro saiu pela culatra.

As pessoas não estão usando aqueles neurônios libertos pela tecnologia para um fim mais nobre do que, por exemplo, trocar as marchas de um carro. Na verdade, as pessoas simplesmente não estão usando mais aqueles neurônios. Pra nada. A tecnologia se desenvolve então, não para nos dar mais tempo e energia para nos ocuparmos com coisas que realmente importam, mas apenas para que nossa inteligência atrofie. Para que nos afastemos cada vez mais do santo, do filosófo, de Shakespeare, e nos aproximemos cada vez mais dos chimpanzés. (Assistam o filme Waking Life. Leiam o livro Universo em Desencanto. Huahuahuahuahuahua... zuei grandão!)

Mas, voltando à vaca fria, esse filme, Dans La Maison, para o qual eu não vou escrever uma crítica, me fez querer escrever de novo. E a dificuldade está colocada no fato de meu computador, no momento, por razões que julgo ser mais prudente omitir, não estar disponível. (Ao bem da verdade, essa era a menor das minhas dificuldades. Esses dias tentei escrever um texto e não saiu nem um teste. E ainda apaguei sem querer a bagaça. Freud explica. Mas fica aí uma metáfora. Hein?)

E eu então lembrei de outro filme francês. Infelizmente, não me lembro a grafia correta em francês, mas me refiro à película entitulada em português O Escafandro e A Borboleta. Eu com preguiça, com birra, de usar essa merda de teclado pra escrever meu textinho -- o que agora estou fazendo com um dedo por que fica mais fácil segurar o celular -- enquanto o personagem do filme escrevia piscando um único olho. Eu uso um dedo e ele usava um olho. 

E, que coisa!, a mesma atriz estava nos dois filmes. Agora que me toquei. Mas nem adianta perguntar por que eu não lembro o nome dela. É uma loira que deve ter chegado (e muito bem, diga-se de passagem) aos 40 e tem um ar sensual (o verdadeiro sexy sem ser vulgar) que só uma francesa pode ter (pelo menos na minha imaginação). Acho que prefiro ela até do que a Julie Delpy (Antes do Pôr-do-Sol?).

Enfim, talvez essa dificuldade, de ter que usar o celular pra escrever, e comparar isso ao que o homem preso dentro de si tinha que enfrentar, tenha me motivado mais ainda para escrever agora.

Esse é o paradoxo da natureza humana: quanto mais difícil, maior a probabilidade de você ir lá e fazer. 

Não, eu reconheço que isso não é lá tão comum assim. E não é pra menos. Lembra do que eu disse agora há pouco sobre a tecnologia?


p.s.: Esse texto não ia acabar aqui. Mas eu não resisti em deixá-lo assim quando a pergunta surgiu. Adoro terminar com pergunta.

Dedico esse texto ao cinéfilo Rony que me recomendou esse filme (e tantos outros).
Dedico também à Duda por que eu amo ela, a tigela e o coração. E ela assistiu o filme comigo. 

E quando ela ri me faz acreditar na felicidade.

21.9.10

On The Top of My Lap



Yeah, old friend
It's you and me again
Me and you
And all these keys
Which my fingers strike
Sometimes lazily
Sometimes in anger

You and me
The cigarette
The booze

You with your screen
Which never shows what I wanna see
The ink fading on your tatoos
(I did those to you)
But they fade away
To show me
Every moment is neverlasting
That's why they're so precious

Now I shut the lid
And give you and me
The rest we both deserve

26.1.10

Algo sobre o que é válido escrever: as reticências

Eu me incomodei muito tempo sobre essa minha mania de escrever e terminar toda frase com reticências. É. Às vezes eu substituo até interrogação por reticências. Meu proof-reading normalmente me salva. Será que salva mesmo?
Mas a verdade é que quando releio um trem que escrevi antes de apertar o send eu fico sempre achando que tem reticências demais.

teve uma época que me incomada essa mania de escrever sem letra maiúscula. já superei. mas não aqui, né?

Eu fico pensando. A pessoa que lê vai achar que eu não terminei o que ia dizer... vai achar que eu não tinha certeza sobre o que estava escrevendo (o que é quase sempre verdade) vai achar que eu não terminei ainda e por isso vai ficar esperando (e eu de cá esperando uma resposta brotar de lá)

Foda-se. Ou como dizem por aqui: FODAS! (eu devia ter terminado com reticências)

...

p.s.: acabou? ...
Ócio

Bato nas teclas
Mas nem me sai um haikai.
Malditas férias!

25.9.09

Tomada Banana

Tó, Madá, banana.
Tô má. Dá banana?
Tomada, banana!
Tô, ma dá banana?

26.9.08

Crônica: a arte da digressão

Uma crônica bem escrita é uma delícia. O escritor te tira do seu mundo por um instante (muitas vezes pra te jogar de volta nele). A crônica te faz parar um pouquinho. É muito parecido com dar uma paradinha pra tomar um copo de café quentinho ou fumar um cigarro (quem fuma sabe do que eu tô falando).
E o mais interessante da crônica bem escrita é que ela não precisa ser sobre nenhum assunto específico. Muitas vezes, é difícil precisar sobre o que o texto se trata. Parece uma ode à escrita por si só.
Tem uma do Vinícius na qual ele fala da agonia do cronista de ter que escrever na última hora, por que, segundo ele, normalmente o cronista deixa pra começar a trabalhar no texto sempre na última hora. E ele diz que o bom cronista se enfrenta nessa situação. É o desafio maior, a pressão, o eustresse. Se eu tenho uma semana pra entregar um texto, e começar a trabalhar nele imediatamente, vai ser fácil demais (pra um bom cronista como era o Vinícius, né?). Mas se, ao invés disso, eu deixar pra escrever no último dia, a coisa muda de figura. Eu não posso mais pensar: "Ah, mais tarde eu começo." Por que mais tarde eu tenho que entregar a crônica pronta. E ele fala da agonia do editor que está esperando a crônica pra encerrar o jornal. O cronista nessa hora, invariavelmente, entra em contato com a sensação eminente de perder o emprego. E essa sensação, no caso do Vinícius, parecia ser a fonte de inspiração maior. E aí ele diz que começava a olhar pros lados pra achar alguma coisa sobre a qual escrever. Ele cita a cadeira. Poderia ser qualquer outro objeto, no entanto. Qualquer coisa que encontrasse o olhar do cronista.
E lendo essa crônica dele, pensando também em outras lidas de outros cronistas mais disciplinados, eu percebi um traço muito recorrente nesse tipo de texto: a tal da digressão.
O cara começa a escrever sobre uma coisa, muitas vezes só pra começar e no meio do caminho já te levou pra outro lugar. E acho que isso é o que torna a crônica uma delícia de leitura. É o mesmo que acontece quando se senta com um grupo de amigos pra bater papo.
Não existe linearidade alguma em conversa entre amigos. A não ser quando existe uma questão muito séria a ser tratada, é claro. Mas em geral é assim. A galera senta à mesa do bar, pede uma cerveja e o cardápio e começa a falar do trabalho. Aí tem a menina que sempre levanta a pelota sobre o que a fulana tava usando. O cara então, já solta uma piada machistinha pra alfinetar. E alguém de repente acha um tira-gosto no cardápio que parece interessante. E aquilo lembra um quarto elemento presente da comida que a vó dele fazia. E, de repente, o grupo está dividindo reminescências da infância. No fim da noite, paga-se a conta e cada um vai pra sua casa. Estão todos felizes, leves, prontos pro que der e vier no dia seguinte.
A digressão em textos mais formais, como ensaios ou dissertações, é mal vista. Mas é que ali há um foco, há uma tese a ser comprovada. E a digressão te tira da rota.
Então, na cabeça do bicho homem, há a necessidade das duas situações. É preciso ter textos sérios, como conversas sérias, em que decisões são tomadas baseadas em estudo, em teorias. É preciso também ter o texto leve, a conversa de bar, sem rumo, sem pretensões.
Outra forma de ver a digressão sendo usada com maestria é na tal da stand-up comedy. O cara sobe no palco, agarra o microfone e começa a conversar com a platéia. Não existe uma linearidade naquela conversa. O charme está justamente nessa falta de linearidade. Um assunto puxa outro sem critério. Pode ser por conexão de sentido, por similaridade sonora, não importa.
A crônica, a stand-up comedy e a conversa de bar funcionam como o pensamento. Aquele fluxo incessante de idéias, muitas vezes desconexas, que vão te levando do Nepal ao Chuí.
E por ser uma espécie de imitação de um ato inerente ao ser humano, acho que todo mundo, vez ou outra, deveria tentar escrever uma crônica. No mínimo, você vai melhorar sua habilidade lingüística. E quem sabe você não descobre que tem o dom de digredir do Vinícius.

28.2.08

Versos Escatologicamente Fáceis

Me saem os versos fáceis
Pulam para fora de mim
Como se meus dedos
Não tivessem força para contê-los

Digo que vomito versos
Mas não é uma boa metáfora
Embora, muitas vezes,
Os versos sejam como o vômito:
Mal cheiroso, amarelo, asqueroso

Mas o vômito, não
O vômito me sai com dificuldade
Faz doer as entranhas
De modo que não comparo
Nem crio metáforas
Ou uso qualquer outra figura

Mas eis que surge uma figura
Para bater de frente com a estrofe anterior:
O peido

Sim, meus versos são como o peido
Que escapole, se furta, se esvai
Provocando incômodo
O peido só é bem vindo na solidão
Aí então peida-se à vontade
Como se soltam os versos

Mas não são tão importunos
Os versos

Então decido de vez
Não uso figuras
Apenas digo
Versos fáceis
Fáceis de escrever
Fáceis de ler
Fáceis de lembrar
Fáceis de gostar e de detestar

4.12.07

insônia

mente torta
corpo impotente
pés sujos
braços pendurados
olhos avermelhados
barba por fazer
dedos inquietos
a tela continua em branco
até quando?

3.12.07

10 Minutos

Quero tentar escrever
Não sei sobre o quê
Meu tempo é curto
E o talento não é muito

Talvez falte só inspiração
Pra compensar, muita ação
Talvez essa fonte tenha secado
Seria uma pena, um pecado

Sem tempo
Sem inspiração
Quem vai salvar minha produção?

27.11.07

Monótono

O que escrevo tá tão sem graça
Tento mudar a forma, ver se passa
Tudo parece já ter sido dito
Tudo aqui sai repetido
Será que a técnica falta?
Meu talento não tá em alta...

Preciso ler mais poesia
Conhecer outros autores
Navegar, conhecer outros humores
Encher essa caixa tão vazia

Caixa de um brinquedo só

26.11.07

Teclando Poesia

Escrever poesia é fácil
Pra digitar tem que ser ágil
Cada toque no teclado é um estalo
Toma seu juízo, quer roubá-lo

Quando o dedão
Muito de supetão
Acerta a barra de espaço
Me assusto, me desfaço

Aperto o Enter: bem normal
Pular uma linha é a ação
Nunca muda, sempre igual
Mas achar a interrogação
Dureza! Me faz passar mal

Acentuar é que é pior
Ficaria até com dó
De ver tentar Cecília
Sem nunca achar o cedilha

No final, às vezes até rimando
Continuo teclando e tentando
Com dificuldade: tudo é assim
Pra fazer você lembrar de mim

24.11.07

Por Que Escrevo

Descobri!
A minha poesia
Não é só expressão
É também

Não é só devoção
Mas não deixa de ser
Não é só desabafo
Mas também isso eu faço

O que é então?
Minhas palavras
São celebração

É a bebida que embriaga
Sem nunca te dar ressaca
Tem gosto de cerveja
Ou o sabor do champagne

Celebro a vida
Celebro o amor
Tim tim!

23.11.07

Metralhadora Giratória

Abro a boca
Agarro o teclado
Dedo no gatilho
Atiro para todos os lados
Raramente acerto em quem eu miro
Mas continuo dando tiro

Por ser poeta virgem
Tenho medo de parar
Vai que a gente esquece

Então escrevo, rabisco
Hora uso o caderno
Hora uso a internet

Por que se eu me conter
Posso me congelar
Já passei por isso

Então não paro
Nem vou parar
Sigo chorando ou sorrindo
Poeta de Recorte

Não escrevo poesia
Copio e colo
São recortes
Chico Manuel Renato Nando
Tem quem goste
Pra quê dizer de novo o que já foi dito por mim?